Caroline Gandara

Relatório de Meta Ads: como parar de perder o fim de semana fechando o mês

Relatório existe para o cliente decidir, não para provar que você trabalhou. O que entra, o que sai, e como transformar quatro horas de recorte de tela em um envio que acontece sozinho.

Caroline Gandara

Caroline Gandara
· 8 min de leitura

Principais aprendizados

  • Relatório não serve para provar esforço: serve para o cliente tomar três decisões, manter, cortar ou aumentar.
  • Quatro números resolvem quase toda conta: investimento, retorno, custo por resultado e volume de resultado.
  • Print do Gerenciador colado em apresentação é o formato mais caro e o menos entendido pelo cliente.
  • O relatório precisa dizer o que vai ser feito no mês seguinte, senão a reunião vira retrospectiva.
  • Montar relatório à mão é a primeira tarefa que deve sair da sua semana, porque é repetitiva, previsível e ocupa o horário mais nobre do mês.

Todo fim de mês tem a mesma cena: o gestor abre o Gerenciador, exporta planilha, recorta tela, monta slide, escreve texto explicando o que já está no slide e manda para o cliente, que abre, olha a primeira página e responde com um polegar para cima. Foram três, quatro, às vezes seis horas por conta. Numa carteira de dez clientes, é uma semana inteira de trabalho que não gera resultado nenhum para ninguém.

O problema não é o relatório, é o formato e o método. Relatório é entrega importante, é o que segura o cliente que não entende métrica e é onde a renovação se decide. O que precisa mudar é o que ele mostra e quem faz o trabalho braçal.

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O relatório existe para o cliente decidir

O cliente não abre o relatório para conferir o seu trabalho. Ele abre para responder três perguntas: está valendo o que estou pagando, o que eu faço com esse dinheiro no mês que vem, e o que você vai fazer diferente. Se o documento não responde a essas três, ele é um arquivo bonito que ninguém lê.

Todo bloco do relatório precisa passar neste teste: qual decisão essa informação ajuda o cliente a tomar? O que não passa, sai.

Os quatro números que resolvem quase toda conta

NúmeroO que o cliente entende com ele
Quanto foi investidoQuanto do dinheiro dele foi para mídia
Quanto voltouFaturamento atribuído, ou volume de leads e o que virou venda
Custo por resultadoSe está ficando mais caro ou mais barato conquistar um cliente
Volume de resultadoSe a operação dele aguenta o que está entrando, ou se sobra capacidade

Tudo o mais é apoio. Alcance, impressão, frequência, taxa de clique e custo por mil existem para explicar o porquê de um desses quatro ter mudado, e devem aparecer só quando explicam. Métrica sem função no texto é enfeite que confunde quem não é da área.

A estrutura que funciona em uma página

  1. 1O resumo em três linhas, escrito por você: o que aconteceu, por que aconteceu e o que muda no mês que vem.
  2. 2Os quatro números, com comparação com o mês anterior ao lado. Número sozinho não diz nada, número comparado diz tudo.
  3. 3O que funcionou: campanha, público ou criativo que puxou o resultado, com o número que comprova.
  4. 4O que não funcionou e o que foi feito: aqui você mostra gestão, não erro. Cliente desconfia de relatório em que tudo deu certo.
  5. 5O plano do mês seguinte, em três a cinco pontos concretos, com o que você precisa dele para executar.

Repare que o último item é o que transforma o relatório em ferramenta comercial. Ele antecipa a próxima reunião, cria compromisso dos dois lados e é o que faz o cliente entender que existe trabalho continuado, não apenas campanha rodando.

O que tirar hoje do seu relatório

  • Print do Gerenciador: ilegível no celular, cheio de coluna que o cliente não entende e que gera pergunta que você não queria responder.
  • Página de capa com o logotipo dele: consome tempo de montagem e não ajuda ninguém a decidir nada.
  • Glossário de métricas: se o número precisa de dicionário para ser entendido, ele não deveria estar ali.
  • Tabela com trinta linhas de anúncio: o cliente não vai ler, e quem lê pergunta por que o anúncio da linha 22 gastou R$ 8.
  • Texto que descreve o gráfico: se o gráfico precisa de legenda longa, o gráfico está errado.

Onde vai o tempo que você gasta

Uma carteira de dez contas, relatório à mão

  • Coleta de dados e exportação: 40 minutos por conta
  • Montagem e formatação: 60 minutos por conta
  • Escrita da análise: 30 minutos por conta
  • Total por conta: cerca de 2 horas e 10 minutos

Mais de 21 horas por mês, quase todas em trabalho de recortar e colar.

Dessas três etapas, apenas a terceira precisa de você. Coleta e montagem são trabalho previsível, que acontece do mesmo jeito todo mês, com os mesmos campos e o mesmo destino. É exatamente o tipo de tarefa que deve sair da sua semana.

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Como fazer o envio acontecer sozinho

O desenho é sempre o mesmo, independentemente da ferramenta que você escolher para montá-lo:

  1. 1Os dados são buscados na origem, direto da conta de anúncios, sem exportação manual.
  2. 2Os números caem em um modelo fixo, o mesmo para todas as contas, com o comparativo do mês anterior já calculado.
  3. 3Você escreve apenas a análise e o plano, que é a parte que só você pode fazer.
  4. 4O envio dispara na data combinada, junto com o aviso de que o relatório chegou.

Um passo além disso é o painel: em vez de um documento por mês, o cliente tem um endereço com os números atualizados sozinhos, e o relatório mensal vira apenas a leitura que você faz daqueles números. Esse formato muda a conversa da reunião e é um dos motivos pelos quais o cliente deixa de sumir, como está em por que o cliente some no terceiro mês.

A meta não é acabar com o relatório. É chegar no fim do mês com a coleta e a montagem prontas, e sobrar para você apenas as vinte linhas que exigem cabeça.

Os erros que fazem o relatório trabalhar contra você

  • Enviar sem falar: relatório mandado no WhatsApp sem reunião nem áudio vira arquivo não lido, e cliente que não lê é cliente que só olha o boleto.
  • Mudar o formato todo mês: comparação exige o mesmo modelo. Formato novo apaga a percepção de evolução.
  • Só mostrar o que deu certo: some a credibilidade no primeiro mês ruim, que sempre chega.
  • Atrasar: relatório que chega no dia 15 comunica que a conta dele não é prioridade.
  • Falar em linguagem de gestor: ROAS, CPM e CTR sem tradução fazem o cliente assentir sem entender, e quem não entende não renova por convicção.

Perguntas frequentes

Com que frequência devo enviar relatório para o cliente?

Mensal para a leitura completa, com um resumo curto por semana durante o mês. O resumo semanal evita a surpresa no fechamento e reduz drasticamente as mensagens soltas perguntando como estão as campanhas.

Quais métricas colocar no relatório de Meta Ads?

Investimento, retorno, custo por resultado e volume de resultado. As demais entram apenas quando explicam a variação de uma dessas quatro, e saem quando não explicam nada.

Devo mostrar o que deu errado no mês?

Sim, junto com o que foi feito a respeito. Relatório em que tudo dá certo soa falso e desmonta na primeira queda. Mostrar problema e correção é o que comprova que existe alguém gerenciando a conta.

Painel automático substitui o relatório mensal?

Substitui a parte braçal, não a leitura. O painel entrega o número atualizado quando o cliente quiser, e o relatório mensal vira a sua análise em cima daquele número, que é o que ele paga para receber.

Como reduzir o tempo de montagem sem perder qualidade?

Fixe um modelo único para todas as contas, tire tudo o que não ajuda numa decisão, busque os dados na origem em vez de exportar à mão e deixe apenas a análise e o plano do mês seguinte por sua conta.

O cliente não lê o relatório. O que fazer?

Trocar o envio por uma leitura de quinze minutos, presencial ou em chamada, com o documento na tela. O relatório não lido quase sempre vira cancelamento no trimestre seguinte, porque o cliente perde a noção do que está recebendo.

Caroline Gandara

Caroline Gandara

Gestora de tráfego pago e empreendedora. Atende clientes, constrói os próprios sistemas e ensina gestores a fazerem o mesmo.

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