Taxa fixa, percentual da verba ou comissão por resultado: qual modelo cobrar
Cada modelo transfere um risco diferente para quem. Veja em que situação cada um funciona, onde o percentual da verba te prejudica e como montar o modelo misto que segura os dois lados.
Caroline Gandara
· 8 min de leitura
Principais aprendizados
- Taxa fixa é o único modelo em que o seu faturamento não depende de decisão que o cliente toma sozinho.
- Percentual da verba só compensa acima de um piso: abaixo dele você faz o mesmo trabalho por muito menos.
- Comissão por resultado transfere para você um risco que você não controla inteiro, porque o fechamento depende do comercial do cliente.
- O modelo misto, taxa fixa mais percentual acima de uma faixa de verba, é o que mais protege os dois lados.
- Qualquer modelo variável exige medição confiável, e medição confiável exige rastreio combinado antes do contrato, não depois da discussão.
Escolher o modelo de cobrança parece detalhe contratual, e é a decisão que define se você vai brigar por dinheiro com o cliente daqui a seis meses. Cada formato coloca o risco em um lugar diferente, e é isso que precisa ser decidido de propósito, não copiado de um contrato que alguém mandou no grupo.
Antes de comparar, uma regra que vale para os três: o preço mínimo continua sendo o que você calculou a partir do custo da sua hora, como está em quanto cobrar por gestão de tráfego. Modelo de cobrança muda como o dinheiro entra, não muda o seu piso.
Curso de Automações para gestores de tráfego, por Caroline Gandara.
Conhecer o curso de automações →Os três modelos, lado a lado
| Modelo | Quem assume o risco | Funciona bem quando |
|---|---|---|
| Taxa fixa | Você, se a conta crescer e o trabalho aumentar | A conta é previsível e a verba é média ou pequena |
| Percentual da verba | Você, se o cliente cortar a verba | A verba é alta e tende a crescer |
| Comissão por resultado | Você, e também o comercial do cliente | Existe rastreio confiável e o cliente vende bem |
Repare que em todas as linhas o risco cai do seu lado. Isso não é coincidência: o mercado de gestão de tráfego costuma empurrar a incerteza para quem presta o serviço. O trabalho é escolher qual incerteza você aceita.
Taxa fixa: previsível para os dois lados
É o modelo mais simples e o mais defensável na conversa: um valor por mês, escopo definido, escopo novo custa mais. O cliente sabe quanto vai pagar e você sabe quanto vai receber, o que permite planejar a carteira.
O ponto fraco aparece quando a conta cresce. Uma conta que começou com uma campanha e uma verba pequena, dois anos depois, tem quatro campanhas, três ofertas e reunião quinzenal, e continua pagando o valor do primeiro mês. Por isso a taxa fixa precisa vir com duas cláusulas: reajuste anual e gatilho de revisão de escopo.
Escreva no contrato o que está incluído em número: quantas campanhas, quantos criativos, quantas reuniões por mês. Sem isso, taxa fixa vira escopo infinito.
Percentual da verba: onde ele começa a fazer sentido
A faixa mais praticada fica entre 10% e 20% do investimento em mídia. O problema é que o trabalho não é proporcional à verba: subir uma campanha de R$ 3.000 e uma de R$ 30.000 dá quase o mesmo trabalho de configuração, e o que muda é o tamanho do erro possível.
O que 15% significa em cada faixa
- Verba de R$ 3.000 por mês: R$ 450 de honorário
- Verba de R$ 10.000 por mês: R$ 1.500
- Verba de R$ 30.000 por mês: R$ 4.500
Na primeira linha você trabalha abaixo do custo. Na terceira, o mesmo percentual paga bem.
Existe ainda um efeito perverso do percentual puro: ele coloca você e o cliente em lados opostos na hora de decidir a verba. Quando você sugere aumentar o investimento, ele ouve que você quer ganhar mais. Quando sugere reduzir, você perde receita. Esse ruído contamina a conversa técnica, e é o principal motivo para não usar percentual sozinho.
Comissão por resultado: cuidado com o que você não controla
Cobrar por venda ou por lead qualificado soa justo e atrai cliente com facilidade. O risco é que o resultado final depende de coisas que estão fora do seu alcance: o time comercial que responde o lead três horas depois, o preço do produto, o estoque, a reputação da marca, a página que o cliente insiste em manter.
Se for usar, exija três condições antes de assinar:
- 1Rastreio combinado e testado, com a fonte da verdade definida por escrito: o que conta como lead, o que conta como venda e qual ferramenta decide o número.
- 2Prazo de resposta do comercial do cliente, também no contrato. Sem isso, você é cobrado por um funil que trava depois do seu trabalho.
- 3Piso fixo mensal, que cubra pelo menos o seu custo. Comissão é bônus, não é salário.
Curso de Automações para gestores de tráfego, por Caroline Gandara.
Conhecer o curso de automações →O modelo misto, que é o que costuma se sustentar
Na prática, o desenho que resolve a maioria das contas é este: uma taxa fixa que cobre o seu custo e o seu lucro alvo, mais um percentual que só passa a valer acima de uma faixa de verba, mais uma comissão opcional em cima de meta combinada.
Exemplo de modelo misto
- Taxa fixa: R$ 1.500 por mês
- Mais 10% sobre a verba que exceder R$ 10.000
- Mais bônus combinado quando a meta do trimestre é batida
Você tem previsibilidade, e ganha junto quando a conta cresce de verdade.
Esse formato tira o ruído da conversa sobre verba, porque abaixo da faixa o seu ganho não muda, e alinha os dois lados quando a conta escala. É também o modelo mais fácil de explicar em reunião, o que conta mais do que parece na hora de fechar.
O que precisa estar no contrato, em qualquer modelo
- Quem paga a mídia: o ideal é o cartão do cliente. Adiantar verba com o seu dinheiro transforma a agência em banco, e é assim que gestor bom quebra.
- Escopo em número: campanhas, criativos, reuniões e canais incluídos.
- Prazo de aviso para saída, dos dois lados, de trinta dias no mínimo.
- Quem é dono da conta de anúncios, do pixel e dos públicos: sempre o cliente, sempre no Gerenciador de Negócios dele, com você como parceira. Isso protege você de acusação e protege ele de dependência.
- Reajuste anual, escrito, com índice ou percentual definido.
Como escolher em uma frase
Se a conta é pequena ou média, taxa fixa com escopo escrito. Se a verba é alta e crescente, taxa fixa mais percentual acima de uma faixa. Se o cliente quer pagar por resultado, aceite apenas com piso fixo, rastreio combinado e prazo de resposta do comercial dele no papel. E, em qualquer um dos três, o preço mínimo continua sendo aquele que a sua conta de custo por hora mandou cobrar.
Perguntas frequentes
Qual percentual da verba é o mais praticado?
A faixa mais comum fica entre 10% e 20% do investimento em mídia, com o percentual caindo conforme a verba sobe. Abaixo de R$ 10.000 de verba, o percentual puro quase sempre paga menos que o custo do seu trabalho.
Posso cobrar percentual e taxa fixa ao mesmo tempo?
Pode, e é o modelo que costuma funcionar melhor: taxa fixa cobrindo custo e lucro, mais percentual apenas sobre a verba que passar de uma faixa combinada. Assim você tem previsibilidade e ganha junto quando a conta cresce.
Vale a pena trabalhar só por comissão no começo?
É o caminho mais rápido para lotar a agenda de contas que não pagam. Se for aceitar, coloque um piso fixo que cubra o seu custo e escreva no contrato o prazo de resposta do comercial do cliente, porque o fechamento depende dele, não de você.
O cliente deve pagar a mídia direto no cartão dele?
Sim, e essa deve ser a regra. Colocar a verba no seu cartão transforma a agência em banco, cria risco de inadimplência e ainda mistura o dinheiro da operação com o do cliente. Se precisar centralizar, cobre antecipado e por escrito.
Como cobrar quando o cliente tem sazonalidade forte?
Taxa fixa anual dividida em doze parcelas iguais, mesmo que a verba varie muito entre os meses. Você mantém previsibilidade e o cliente não fica sem gestão justamente no mês fraco, que é quando ele mais precisa de ajuste.

Caroline Gandara
Gestora de tráfego pago e empreendedora. Atende clientes, constrói os próprios sistemas e ensina gestores a fazerem o mesmo.
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