Caroline Gandara

Quanto cobrar por gestão de tráfego: o método, não o palpite

Preço copiado do grupo de gestores é chute. Aqui está como calcular a partir do custo da sua hora, quantas contas esse preço permite atender e como subir o valor sem perder o cliente.

Caroline Gandara

Caroline Gandara
· 9 min de leitura

Principais aprendizados

  • Preço copiado de outro gestor ignora que a estrutura de custo dele é outra: outra carteira, outro tempo por conta, outra entrega.
  • O piso do seu preço é o custo da sua hora multiplicado pelas horas que a conta consome de verdade, incluindo reunião, relatório e mensagem no WhatsApp.
  • Quem não mede o tempo por conta descobre tarde que o cliente barato é o que mais consome, e que a carteira cheia pode dar menos lucro que a carteira enxuta.
  • Reajuste com aviso de trinta dias e entrega visível é aceito. Reajuste no meio de um mês ruim, não.
  • O número que interessa é o lucro por hora trabalhada, não o faturamento do mês.

A pergunta aparece sempre da mesma forma: quanto os outros estão cobrando. E a resposta que vem do grupo, do story ou do amigo é sempre um número solto, sem a conta que o sustenta. O gestor que cobra R$ 1.200 pode ter três clientes e sobrar tempo. O que cobra R$ 3.000 pode ter doze e não dormir. O preço dele não diz nada sobre o seu negócio.

Precificar não é adivinhar o teto do mercado. É descobrir o seu piso, somar a margem que faz o negócio existir e depois testar quanto o mercado paga acima disso. Este texto é a conta inteira, na ordem.

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Comece pelo custo da sua hora

Não existe preço justo sem saber quanto custa uma hora sua. E custo aqui não é o quanto você quer ganhar, é quanto o negócio gasta para existir, dividido pelas horas que você realmente consegue trabalhar em conta de cliente.

Some tudo o que sai da conta todo mês mesmo que nenhum cliente novo entre: ferramenta, editor de vídeo, designer, contador, internet, assinatura de espionagem de anúncio, plano de celular, hospedagem, o que for. Depois, seja honesta com as horas: uma semana tem quarenta horas úteis, mas nem todas viram trabalho de cliente. Prospecção, proposta, estudo, contabilidade e imprevisto comem parte do dia.

Exemplo de custo por hora

  • Custo fixo mensal da operação: R$ 4.000
  • Horas úteis no mês: 160
  • Horas que sobram para conta de cliente, na prática: 100
  • R$ 4.000 dividido por 100 horas

Custo da hora: R$ 40, antes de qualquer lucro seu.

Esse número é o chão. Toda hora que você entrega abaixo dele é hora que você paga para trabalhar. E note o detalhe que muda tudo: são cem horas, não cento e sessenta. Precificar em cima da jornada cheia é o erro que faz o gestor descobrir no fim do ano que faturou bem e não sobrou nada.

Meça quanto tempo cada conta consome de verdade

A maioria dos gestores acha que uma conta consome duas ou três horas por mês. Quando o tempo é anotado por trinta dias, o número real costuma ser bem outro, porque a gestão da campanha é só um pedaço do trabalho.

O que consome tempoHoras por mês, em média
Otimização e acompanhamento das campanhas3 a 6
Criativo: briefing, revisão, subida2 a 5
Relatório e reunião mensal2 a 4
Mensagem, cobrança e pedido fora de hora2 a 8
Reunião não prevista e apagar incêndio1 a 4

Repare que as duas linhas de baixo, que ninguém coloca na proposta, podem sozinhas dobrar o custo da conta. É por isso que existe cliente que paga bem e dá prejuízo.

Anote uma semana de trabalho por conta, com hora de início e de fim. Sem esse dado, precificação é opinião.

Monte o preço por camadas

Com o custo da hora e o tempo real por conta, o preço deixa de ser chute e vira soma. São quatro camadas, nesta ordem:

  1. 1Custo direto: horas da conta multiplicadas pelo custo da sua hora.
  2. 2Custo de quem entra junto: editor, designer, redator ou qualquer terceiro que aquele cliente específico consome.
  3. 3Margem de risco: entre 20% e 30%, porque toda conta tem mês ruim, pedido extra e retrabalho.
  4. 4Seu lucro: o que sobra para você, e que precisa estar no preço desde o começo, não no que restar no fim do mês.

Exemplo de preço de uma conta

  • Tempo real da conta: 12 horas por mês
  • 12 horas x R$ 40 de custo por hora = R$ 480
  • Editor de vídeo dedicado àquele cliente: R$ 300
  • Subtotal de custo: R$ 780
  • Margem de risco de 25%: R$ 195
  • Lucro alvo de 40% sobre o custo: R$ 312

Preço mínimo saudável: R$ 1.287 por mês.

Se o mercado da sua região paga R$ 1.500, você tem folga. Se paga R$ 900, o problema não é o preço, é o tempo que a conta consome, e a saída é reduzir esse tempo, não baixar o valor.

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O caminho mais rápido para ganhar mais não é cobrar mais

Volte na conta acima e troque uma variável: se aquelas doze horas virarem oito, porque relatório, alerta de saldo e conferência deixaram de ser feitos à mão, o custo direto cai para R$ 320 e a mesma mensalidade passa a render bem mais por hora trabalhada. Você não precisou vender nada de novo nem renegociar com ninguém.

Cortar duas horas de trabalho manual por conta, numa carteira de dez clientes, devolve vinte horas por mês. É meia semana de trabalho de volta no seu calendário.

Este é o motivo pelo qual precificação e automação são o mesmo assunto. Quem só olha o preço tenta resolver a margem cobrando mais de um mercado que resiste. Quem olha o tempo resolve a margem por dentro, e ainda ganha espaço para atender mais gente sem contratar. A conta de quantas contas cabem na sua semana está em quantos clientes um gestor de tráfego consegue atender sozinho.

Como subir preço sem perder o cliente

Reajuste não é confronto, é aviso com antecedência e entrega visível. Quatro regras que funcionam:

  • Avise com trinta dias, por escrito, e depois repita na reunião. Reajuste comunicado na hora da cobrança vira briga.
  • Reajuste depois de um mês bom, nunca depois de um mês ruim. O cliente aceita pagar mais para quem acabou de mostrar resultado.
  • Junte alguma coisa nova, mesmo pequena: um painel que ele acessa quando quiser, um relatório semanal automático, um novo canal testado.
  • Suba a carteira em blocos, não todo mundo ao mesmo tempo. Comece pelos clientes mais antigos e mais satisfeitos, que são os que menos reclamam e servem de termômetro.

E aceite o número de saída: numa carteira saudável, um ou dois clientes saem no reajuste. Se ninguém sai nunca, o seu preço está abaixo do que o mercado aceitaria.

Os erros de precificação que mais aparecem

  • Cobrar por entregável e não por resultado de operação: dez criativos por mês vira uma fábrica, e você passa a ser pago por volume de trabalho, que é exatamente o que você quer reduzir.
  • Dar desconto para fechar rápido: o desconto entra na primeira mensalidade e fica para sempre, porque tirar depois é mais difícil que segurar agora.
  • Igualar todos os clientes no mesmo valor: uma conta com uma campanha e uma conta com quatro públicos, duas ofertas e reunião quinzenal não custam o mesmo para você.
  • Aceitar cliente abaixo do piso porque a agenda está vazia: ele ocupa o espaço de um cliente bom e ainda costuma ser o mais exigente.
  • Esquecer o custo de aquisição: se você gasta para conseguir cliente, esse custo precisa caber no preço, senão a operação cresce e a conta bancária não.

O teste final

Pegue a sua carteira atual, some o faturamento do mês e divida pelas horas que você trabalhou naquele mês. Se o resultado por hora estiver perto do custo da sua hora, você não tem um negócio, tem um emprego mal pago que também dá dor de cabeça.

Esse número, lucro por hora trabalhada, é o que precisa subir mês a mês. Ele sobe de três formas: cobrando mais, atendendo melhor com o mesmo tempo ou tirando trabalho manual da semana. A terceira é a mais rápida, é a que não depende de negociação e é a única que você controla sozinha.

Perguntas frequentes

Quanto cobrar por gestão de tráfego para um cliente pequeno?

Não existe valor de tabela, existe piso. Calcule o custo da sua hora, meça quantas horas aquela conta consome por mês e some margem de risco e lucro. Se o resultado ficar acima do que o cliente pequeno pode pagar, o caminho é reduzir o tempo que a conta consome, com processo e automação, e não baixar o preço.

Devo cobrar taxa de setup no primeiro mês?

Sim, e por um motivo prático: o primeiro mês consome de duas a três vezes mais horas que os seguintes, com estudo, configuração de pixel, criação de públicos e primeiros criativos. Cobrar setup evita que o mês mais trabalhoso seja o mais barato.

É certo cobrar percentual da verba do cliente?

Funciona bem em conta com verba alta e mal em conta pequena, porque o trabalho não cai na mesma proporção da verba. O modelo, as faixas e o ponto em que ele passa a valer a pena estão detalhados em taxa fixa, percentual da verba ou comissão por resultado.

De quanto em quanto tempo posso reajustar?

Uma vez por ano é o padrão que o cliente entende sem estranhar, com aviso de trinta dias. Fora disso, o reajuste acontece quando o escopo muda: mais campanhas, mais canais, mais reuniões ou mais criativos por mês.

O cliente pediu desconto. O que responder?

Não baixe o preço, baixe o escopo. Ofereça a mesma gestão com menos entregas, por exemplo relatório mensal em vez de quinzenal, ou um canal em vez de dois. Isso preserva o seu valor por hora e deixa claro que o preço tem lastro em trabalho, não em margem inflada.

Como sei se estou cobrando abaixo do mercado?

Se você fecha praticamente todas as propostas que envia, está barata. Uma taxa de fechamento saudável fica entre um terço e metade das propostas. Fechar tudo é sinal de que o preço não está sendo testado.

Caroline Gandara

Caroline Gandara

Gestora de tráfego pago e empreendedora. Atende clientes, constrói os próprios sistemas e ensina gestores a fazerem o mesmo.

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