Caroline Gandara

Quantos clientes um gestor de tráfego consegue atender sozinho

O limite não é o número de contas, é o número de horas que cada conta consome. Veja como calcular a sua capacidade real e o que precisa sair da semana antes de aceitar mais um cliente.

Caroline Gandara

Caroline Gandara
· 8 min de leitura

Principais aprendizados

  • Não existe número universal: existe a sua capacidade, que é horas disponíveis divididas pelo tempo médio de uma conta.
  • A conta pequena costuma consumir quase o mesmo tempo da conta grande, e é por isso que carteira cheia de conta pequena não fecha a conta.
  • Metade do tempo de uma carteira vai para tarefa repetitiva: relatório, conferência, cobrança e resposta de mensagem.
  • Antes de contratar alguém, tire da semana o que é trabalho previsível, porque contratar para executar tarefa repetitiva é caro e não escala.
  • O sinal de que você passou do limite não é cansaço, é atraso: relatório atrasa, otimização atrasa, resposta atrasa.

A pergunta certa não é quantos clientes um gestor aguenta. É quantas horas a sua semana tem e quantas horas cada conta come. Duas pessoas com a mesma carteira de dez clientes podem viver realidades opostas: uma trabalha trinta horas por semana e a outra sessenta, porque a diferença não está no número de contas, está no que acontece dentro de cada uma.

Vamos fazer a conta e depois olhar para o que ela revela, que quase sempre é desconfortável.

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A conta da sua capacidade

Comece pelas horas que sobram de fato para trabalho de cliente. Da jornada cheia, tire prospecção, proposta, estudo, financeiro, reunião interna e o tempo que some sem explicação. O que sobra costuma ser bem menos do que se imagina.

Exemplo de capacidade

  • Jornada mensal: 160 horas
  • Menos prospecção, proposta e estudo: 30 horas
  • Menos financeiro, imprevisto e vida real: 20 horas
  • Sobram para conta de cliente: 110 horas
  • Tempo médio por conta, medido: 11 horas por mês

Capacidade real: 10 contas, e não 20.

Se você não sabe o tempo médio por conta, esse é o primeiro trabalho: anotar por trinta dias, com hora de início e de fim, tudo o que você faz por cliente, inclusive responder mensagem. O número que aparece costuma ser o dobro do que o gestor estimava, e a maior parte dessa diferença está em conversa avulsa e retrabalho.

Por que a conta pequena atrapalha mais

Uma conta com verba de R$ 2.000 e uma com verba de R$ 20.000 exigem quase a mesma coisa: acompanhamento, criativo, relatório, reunião e resposta. O que muda é o tamanho do impacto de cada decisão, não o tempo de execução.

Carteira

12 contas a R$ 900

Faturamento

R$ 10.800

Horas consumidas

132

Ganho por hora

R$ 82

Carteira

6 contas a R$ 2.000

Faturamento

R$ 12.000

Horas consumidas

66

Ganho por hora

R$ 182

A segunda linha fatura mais, trabalha metade e ainda sobra tempo para prospectar. É o mesmo raciocínio de piso de faturamento que aparece em quanto cobrar por gestão de tráfego: existe um valor abaixo do qual a conta não deveria entrar, não por soberba, mas por aritmética.

Carteira cheia não é sinal de negócio saudável. Ganho por hora trabalhada é.

Onde o tempo realmente vai

Quando o gestor anota a semana, a divisão costuma ficar parecida com esta:

Tipo de trabalho

Otimizar campanha e analisar dado

Fatia do tempo

30%

Precisa de você?

Sim

Tipo de trabalho

Criativo: briefing e revisão

Fatia do tempo

20%

Precisa de você?

Em parte

Tipo de trabalho

Relatório e conferência de números

Fatia do tempo

20%

Precisa de você?

Quase nada

Tipo de trabalho

Mensagem, cobrança e alinhamento

Fatia do tempo

20%

Precisa de você?

Em parte

Tipo de trabalho

Conferir saldo, prazo e pendência

Fatia do tempo

10%

Precisa de você?

Não

Somando as linhas que não exigem a sua cabeça, dá cerca de um terço da semana em trabalho previsível, que acontece igual todo mês. Numa carteira de dez contas, isso é mais de trinta horas mensais gastas em coisa que poderia acontecer sozinha.

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O que tirar da semana, na ordem

  1. 1Conferência de saldo e de campanha parada: vira aviso automático quando algo sai do padrão, em vez de ronda diária no Gerenciador.
  2. 2Coleta de dados do relatório: os números chegam prontos no modelo, e sobra para você a análise.
  3. 3Aviso de rotina para o cliente: resumo semanal disparado sozinho reduz mensagem avulsa mais do que qualquer outra medida.
  4. 4Cobrança e lembrete de vencimento: sai do seu WhatsApp e vira processo.
  5. 5Checagem de pendência interna: uma lista única do que está travado em cada conta, no lugar de procurar em oito conversas.

Cada uma delas pode virar uma tela ou um aviso feito por você, no caminho descrito em como criar a sua própria ferramenta sem saber programar. Note que nenhuma dessas cinco é a parte estratégica. Ninguém está propondo automatizar a decisão sobre a campanha. O que sai é o trabalho de conferir, montar e avisar, que é justamente o que ocupa o horário nobre do seu dia e não paga nada.

Quando contratar e quando ainda não

Contratar alguém para executar tarefa repetitiva é a saída mais cara e a mais frágil: custa salário, exige treinamento, cria dependência e some quando a pessoa sai. Antes disso, existe uma pergunta simples: dessas horas que eu quero delegar, quantas são decisão e quantas são repetição?

  • Se a maior parte é repetição, o caminho é tirar o trabalho da semana, não colocar gente para fazê-lo.
  • Se a maior parte é criativo e atendimento, aí sim faz sentido a primeira contratação, normalmente um editor ou um assistente de atendimento.
  • Se a maior parte é estratégia e a sua agenda está cheia, o problema é preço: você está com contas demais para o valor que cobra.

Os sinais de que você já passou do limite

  • O relatório começa a sair depois do dia 10.
  • Você descobre que uma campanha parou pelo aviso do cliente, e não pelo seu.
  • Existe conta na carteira que você não abre há mais de cinco dias.
  • Prospecção sumiu da semana, e faz mais de um mês que você não fala com um cliente novo.
  • Você responde mensagem à noite porque durante o dia não sobrou espaço.

Quando dois desses sinais aparecem juntos, a carteira já está acima da capacidade. E a saída não é acordar mais cedo: é reduzir o tempo por conta, subir o preço médio ou recusar o próximo cliente. As três funcionam. Trabalhar mais horas, não.

Perguntas frequentes

Quantos clientes de tráfego dá para atender sozinho?

Depende do tempo que cada conta consome. Com contas simples e rotina bem organizada, entre oito e doze é o intervalo mais comum para quem trabalha sozinho. Com contas grandes ou com muita reunião, cinco já ocupam a semana inteira.

Como saber o tempo real que cada conta consome?

Anote por trinta dias tudo o que você faz por cliente, com hora de início e de fim, incluindo resposta de mensagem e reunião não prevista. O número real costuma ser bem maior que a estimativa, e é ele que define a sua capacidade.

Vale a pena aceitar cliente pequeno para completar a agenda?

Só se ele não consumir o tempo de um cliente grande, o que raramente acontece. Conta pequena costuma exigir quase o mesmo trabalho e ainda ocupa o espaço que um cliente melhor ocuparia depois.

Quando devo fazer a primeira contratação?

Quando a maior parte do tempo que você quer delegar for criativo ou atendimento, e não trabalho repetitivo. Repetição sai da semana por processo e automação, que custam muito menos que um salário e não pedem demissão.

Dá para atender mais clientes sem perder qualidade?

Dá, desde que o tempo por conta caia. Padronizar o relatório, receber aviso quando algo sai do padrão e enviar resumo semanal sozinho devolvem horas sem tirar nada do que o cliente percebe como entrega.

Caroline Gandara

Caroline Gandara

Gestora de tráfego pago e empreendedora. Atende clientes, constrói os próprios sistemas e ensina gestores a fazerem o mesmo.

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