Quanto custa conquistar um cliente, e por que a conta engana
A conta que quase todo gestor faz deixa de fora o item mais caro, que é o próprio tempo. Veja a versão completa do cálculo, a leitura por faixa e o prazo que decide se a captação cabe no caixa.
Caroline Gandara
· 10 min de leitura
Principais aprendizados
- Custo de aquisição não é o gasto com anúncio dividido pelo número de contratos: entram o tempo do comercial, a comissão, o desconto de entrada e o trabalho das propostas que não fecharam.
- O tempo próprio costuma ser o item mais caro da conta e é o único que não aparece em extrato nenhum, por isso o número parece bom enquanto o caixa não melhora.
- A comparação certa não é com a mensalidade, é com a margem que o cliente deixa enquanto fica. Receita bruta infla o retorno e esconde o custo de entregar.
- Retorno abaixo de uma vez o custo é prejuízo; até três vezes é operação apertada; acima disso existe folga para investir mais em captação.
- O prazo de recuperação é um número separado da razão: retorno bom que só volta no oitavo mês trava o crescimento por falta de caixa, não por falta de lucro.
Quanto custa conquistar um cliente é uma pergunta que a maioria dos gestores de tráfego responde rápido demais. Pega o que gastou em anúncio de captação, divide pelo número de contratos fechados, chega a um número redondo e segue o dia. O problema é que esse número quase sempre está errado, e errado para menos.
Esse custo existe para responder uma pergunta só: quanto a operação pode gastar para trazer o próximo cliente sem apertar. Quando ele vem menor do que é, a decisão que sai dele é gastar mais do que a operação aguenta, e o efeito aparece dois meses depois, na forma de um mês cheio de trabalho novo com a conta bancária no mesmo lugar.
Curso de Automações, por Caroline Gandara.
Saiba mais →A conta simples deixa de fora o item mais caro
O extrato do cartão mostra a mídia. Ele não mostra as tardes de reunião, as propostas montadas à mão, as conversas que não viraram nada e o primeiro mês que saiu pela metade do preço para destravar a assinatura do contrato. Tudo isso é dinheiro gasto para conquistar aquele cliente, e tudo isso fica de fora quando a conta é uma divisão só.
O que entra no custo
Mídia de captação
Como contar
O que foi investido no período em anúncio para atrair cliente
Por que costuma ficar de fora
É o único item que quase todo mundo já conta
O que entra no custo
Seu tempo no comercial
Como contar
Horas de prospecção, reunião e proposta pelo custo da sua hora
Por que costuma ficar de fora
Não sai do extrato, então não parece dinheiro
O que entra no custo
Comissão e indicação paga
Como contar
O que foi pago a quem trouxe o contrato
Por que costuma ficar de fora
Some no meio das despesas do mês
O que entra no custo
Desconto e setup gratuito
Como contar
A diferença entre o preço cheio e o que foi cobrado na entrada
Por que costuma ficar de fora
Aparece como venda, quando é gasto de aquisição
O que entra no custo
Ferramenta do comercial
Como contar
Assinatura mensal dividida pelos contratos do período
Por que costuma ficar de fora
Valor pequeno que passa despercebido todo mês
Exemplo de um mês com três contratos fechados
- Mídia de captação no mês: R$ 1.200
- 18 horas de prospecção, reunião e proposta, a R$ 40 a hora: R$ 720
- Comissão paga pela indicação de um dos contratos: R$ 300
- Primeiro mês pela metade do preço em dois contratos: R$ 900
- Total gasto para trazer 3 clientes: R$ 3.120
Custo por cliente: R$ 1.040, e não os R$ 400 que a divisão simples devolveria.
O tempo é o item mais caro da conta e o único que não aparece em extrato nenhum. Enquanto ele ficar de fora, o número vai parecer ótimo enquanto o caixa não melhora.
Repare que o custo da hora usado aqui é o mesmo do cálculo de preço: o que a operação gasta para existir dividido pelas horas que sobram para trabalho de verdade. Quem ainda não tem esse número encontra o passo a passo em quanto cobrar por gestão de tráfego, e sem ele nenhuma das contas deste texto fecha.
A média esconde canais com preços muito diferentes
Um número único para a operação inteira mistura o cliente que chegou por indicação, que custou uma conversa de vinte minutos, com o cliente que veio de três semanas de prospecção. A média fica confortável e não permite decidir nada, porque não diz onde colocar a próxima hora de trabalho.
Canal
Indicação de cliente atual
O que custa de verdade
Quase nada em dinheiro e algum tempo de conversa
O que a média esconde
Não cresce por decisão sua: depende da carteira satisfeita
Canal
Conteúdo próprio
O que custa de verdade
Horas de produção toda semana, durante meses
O que a média esconde
Barato por cliente e caro para começar, porque demora
Canal
Prospecção ativa
O que custa de verdade
Muitas horas por contrato fechado
O que a média esconde
Parece de graça por não ter mídia, e é o mais caro em tempo
Canal
Anúncio de captação
O que custa de verdade
Mídia somada ao tempo de atender cada contato
O que a média esconde
Custo baixo por contato com fechamento baixo segue caro
Separar o custo por canal muda a decisão da semana seguinte, porque revela qual deles merece mais hora e qual está consumindo tempo sem devolver contrato. Como montar canais que não dependem de sorte está em como conseguir clientes de tráfego.
Comparar o custo com a mensalidade é o segundo engano
Depois de acertar o custo, quase todo mundo erra o outro lado da comparação. Coloca o custo de aquisição ao lado da mensalidade e conclui que está ganhando, esquecendo que aquela mensalidade ainda precisa pagar as horas de entregar a conta todo mês. O que se compara com o custo de conquistar um cliente é a margem que ele deixa, e não a receita que ele gera.
O mesmo contrato, lido de duas formas
- Mensalidade de R$ 1.500, com permanência média de 8 meses
- Receita total do cliente: R$ 12.000
- Entrega da conta: 12 horas por mês a R$ 40, ou R$ 480 por mês
- Margem mensal: R$ 1.020, o que dá R$ 8.160 nos 8 meses
Contra um custo de R$ 1.040, o retorno é de cerca de 8 vezes na margem, e não as 11 vezes que a receita bruta sugeriria.
A leitura por faixa diz o que fazer em cada situação
Com o custo de um lado e a margem acumulada do outro, o resultado é uma razão simples: quantas vezes o cliente devolve o que custou trazê-lo. São quatro faixas, e cada uma pede uma ação diferente.
Retorno sobre o custo
Abaixo de 1 vez
Como se lê
O cliente sai antes de pagar o que custou trazê-lo
O que fazer
Suspender aumento de verba e atacar a permanência
Retorno sobre o custo
Entre 1 e 3 vezes
Como se lê
Existe lucro no papel, e ele some no primeiro imprevisto
O que fazer
Subir fechamento ou permanência antes de investir mais
Retorno sobre o custo
Entre 3 e 5 vezes
Como se lê
Faixa saudável, com folga para erro de estimativa
O que fazer
Aumentar a verba em degraus e medir de novo a cada trimestre
Retorno sobre o custo
Acima de 5 vezes
Como se lê
Provável investimento abaixo do possível em captação
O que fazer
Testar mais verba: existe cliente sendo deixado na mesa
A faixa que mais engana é a do meio. Ela devolve um número positivo, o que soa como aprovação, mas a margem que sobra ali não aguenta um cliente que sai no segundo mês nem um trimestre com menos fechamento. Quem vive entre uma e três vezes não está lucrando pouco: está financiando o crescimento com o dinheiro que deveria ser reserva.
Curso de Automações, por Caroline Gandara.
Saiba mais →O prazo pesa tanto quanto o valor
A razão responde se vale a pena. Ela não responde se cabe. O custo de aquisição sai à vista, no mês em que o cliente entra, e a margem volta em parcelas mensais. Entre uma coisa e outra existe um período em que a operação está no negativo daquele cliente, e esse período tem nome próprio: prazo de recuperação, ou o custo dividido pela margem mensal.
O buraco de caixa que a razão não mostra
- Custo de aquisição por cliente: R$ 1.040
- Com margem de R$ 1.020 por mês, a recuperação leva pouco mais de um mês
- Com margem de R$ 200 por mês, a mesma recuperação leva mais de 5 meses
- Trazendo 4 clientes por mês, saem R$ 4.160 do caixa todo mês, à vista
- No segundo cenário, são R$ 20.800 desembolsados em cinco meses enquanto a devolução ainda está em parcelas
A razão diz se vale a pena. O prazo diz se cabe no caixa deste mês.
Para operação sem capital de giro, recuperação em até três meses é o limite confortável, e vale como regra até que a sua própria série de números diga outra coisa. Acima disso, cada cliente novo aperta o mês em que ele entra, e a operação passa a crescer devagar por falta de caixa, não por falta de demanda.
O prazo ainda depende da permanência, que é o número menos controlado da operação. Cliente que sai no terceiro mês pode não ter devolvido o que custou, mesmo com a razão parecendo saudável na média da carteira. Onde essa saída acontece está em por que o cliente some no terceiro mês.
As propostas que não fecharam estão no preço da que fechou
Nenhuma reunião perdida é gratuita. O tempo gasto com quem disse não continua sendo tempo pago, e ele precisa ser dividido entre os contratos que entraram. É isso que transforma taxa de fechamento em item de custo, e não em vaidade de comercial.
O efeito da taxa de fechamento no custo por cliente
- 20 reuniões no mês, com 2 horas cada entre preparo, encontro e proposta
- 40 horas de comercial a R$ 40 a hora: R$ 1.600
- Fechando 4 contratos: R$ 400 de custo comercial por cliente
- Fechando 8 contratos, com o mesmo esforço: R$ 200 por cliente
Dobrar o fechamento cortou o custo pela metade sem reduzir um real de gasto.
Essa é a alavanca mais rápida da conta inteira, porque não depende de gastar menos nem de o cliente ficar mais tempo. Depende da condução da conversa e da qualificação de quem entra na agenda, assunto de a reunião de fechamento e o cliente que diz que vai pensar.
O que realmente derruba o custo de conquistar um cliente
- Subir a taxa de fechamento. É a alavanca mais rápida e a única que age sobre o custo sem mexer em gasto nem em prazo.
- Recusar cedo quem não tem porte. Uma reunião evitada é uma hora devolvida ao mês, e reunião com quem não pode pagar é o gasto mais silencioso da operação.
- Tirar horas do processo comercial. Proposta montada a partir de um modelo, diagnóstico gerado com os dados já disponíveis e resposta pronta para a dúvida que sempre volta cortam horas de um trabalho que se repete igual toda semana.
- Alongar a permanência. Ela não reduz o custo, aumenta o retorno, e é o que empurra a razão da faixa apertada para a faixa com folga.
- Pedir indicação em ritmo fixo. O canal mais barato costuma ser o único que ninguém organiza, porque depende de lembrar, e o que depende de lembrar não acontece.
Três desses cinco itens são trabalho repetitivo que consome hora de gente cara. É por isso que custo de aquisição e automação são o mesmo assunto: cada hora que sai do comercial manual reduz o custo de todos os contratos daquele mês, inclusive dos que ainda nem entraram.
Os erros que mais aparecem nessa conta
- Contar só a mídia. É o erro que gera o número bonito e a decisão errada, porque deixa de fora justamente o item mais caro.
- Decidir pela média de todos os canais. A média não indica onde colocar a próxima hora, e é exatamente essa a decisão que precisa ser tomada.
- Comparar o custo com a mensalidade. Receita bruta ignora o custo de entregar e infla o retorno em um terço ou mais.
- Ignorar o prazo de recuperação. Operação lucrativa com recuperação longa quebra por caixa antes de quebrar por margem.
- Fechar a conta dentro de um único mês. O gasto de captação de um mês fecha contrato no mês seguinte, então a janela honesta é o trimestre, com o gasto de um período comparado aos contratos do mesmo período.
Como montar essa conta na sua operação
- 1Some três meses de gasto de captação, com mídia, horas de comercial ao custo da sua hora, comissão paga e desconto concedido na entrada.
- 2Divida pelo número de contratos fechados no mesmo trimestre, e depois repita a divisão canal por canal.
- 3Calcule a margem mensal do cliente médio: mensalidade menos as horas de entrega multiplicadas pelo custo da sua hora.
- 4Multiplique a margem pela permanência média e divida pelo custo de aquisição, para chegar à razão.
- 5Divida o custo pela margem mensal e anote o prazo de recuperação ao lado da razão. Os dois juntos decidem; nenhum deles decide sozinho.
Quem faz esse levantamento uma vez costuma descobrir que o custo real é duas ou três vezes o número que carregava na cabeça, e que o canal considerado gratuito era o mais caro da lista. Isso não é motivo para parar de investir em captação: é a informação que faltava para investir com confiança, porque só quem conhece o custo verdadeiro sabe quanto ainda há de espaço para gastar.
Perguntas frequentes
Como calcular o custo de aquisição de cliente na gestão de tráfego?
Some tudo o que foi gasto para trazer cliente em um trimestre, com mídia de captação, horas de prospecção e reunião multiplicadas pelo custo da sua hora, comissão paga e desconto concedido na entrada. Depois divida pelo número de contratos fechados no mesmo período. A janela de três meses evita a distorção de comparar gasto de um mês com contrato que só fecha no mês seguinte.
O tempo que eu gasto vendendo entra no custo de aquisição?
Entra, e costuma ser o item mais caro. Reunião, preparo, proposta e conversa de acompanhamento são horas que poderiam estar em conta de cliente pagante. Sem esse item, o custo aparece com um terço ou menos do tamanho real, e a decisão de aumentar verba sai apoiada em um número que não existe.
Qual é a relação ideal entre o retorno do cliente e o custo de aquisição?
Abaixo de uma vez o custo é prejuízo direto, porque o cliente sai antes de pagar o que custou. Entre uma e três vezes existe lucro no papel que some no primeiro imprevisto. Entre três e cinco é a faixa saudável. Acima de cinco, o mais provável é que exista cliente sendo deixado na mesa por falta de investimento em captação.
Em quanto tempo o custo de conquistar um cliente precisa voltar?
Para operação sem capital de giro, recuperação em até três meses é o limite confortável. O cálculo é o custo de aquisição dividido pela margem mensal do cliente. Acima desse prazo, cada contrato novo aperta o caixa do mês em que entra, e a operação passa a crescer devagar por falta de dinheiro em conta, não por falta de demanda.
Devo usar a receita ou a margem para calcular o retorno do cliente?
A margem. A mensalidade ainda precisa pagar as horas de entregar aquela conta todo mês, então comparar receita bruta com custo de aquisição infla o retorno. Multiplique a margem mensal pela permanência média e use esse valor como o retorno real do cliente.
Como reduzir o custo de conquistar clientes sem cortar o investimento em anúncio?
Subindo a taxa de fechamento, recusando cedo quem não tem porte e reduzindo as horas do processo comercial com proposta modelo, diagnóstico automatizado e respostas prontas. Dobrar o fechamento corta o custo por cliente pela metade sem reduzir um real de gasto, o que nenhuma negociação de mídia consegue entregar.

Caroline Gandara
Gestora de tráfego pago e empreendedora. Atende clientes, constrói os próprios sistemas e ensina gestores a fazerem o mesmo.
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