Caroline Gandara

O que precisa estar no contrato de gestão de tráfego

As cláusulas que decidem se o combinado se sustenta no terceiro mês: escopo escrito em número, dono da conta e do pixel, quem paga a mídia, prazo e aviso de saída.

Caroline Gandara

Caroline Gandara
· 10 min de leitura

Principais aprendizados

  • Contrato de gestão de tráfego não existe para ganhar discussão no tribunal, e sim para que a discussão não aconteça: ele é o combinado escrito enquanto as duas partes ainda estão de acordo.
  • Escopo só protege quando está em número. Acompanhamento próximo, criativos conforme a necessidade e suporte não significam nada, e é dessas três expressões que nasce a maior parte do trabalho não pago.
  • Conta de anúncios, pixel e página precisam ser do cliente, com acesso concedido por parceria. O gestor que centraliza tudo no próprio gerenciador transforma cada saída em conflito.
  • A verba da mídia deve sair do cartão do cliente. Quando ela passa pelo seu caixa, você vira intermediário financeiro de um valor que não é seu e que não gera margem.
  • Prazo curto sem aviso de saída é o pior arranjo possível: o trabalho leva meses para maturar e a operação fica exposta a um cancelamento por mensagem, sem tempo de repor a vaga.

O contrato de gestão de tráfego costuma ser a última coisa que o gestor resolve e a primeira que ele lamenta não ter resolvido. Enquanto o cliente está satisfeito, nenhuma cláusula parece necessária. No mês em que o resultado cai, em que aparece um pedido que ninguém previu ou em que o cliente decide sair, todas elas parecem óbvias, e nenhuma está escrita.

Vale separar duas coisas antes de continuar. Este texto trata do que precisa estar combinado do ponto de vista comercial e operacional, que é a parte que decide o dia a dia do trabalho. A forma jurídica dessas cláusulas, a redação final e a adequação ao seu caso são assunto de quem tem registro para escrever contrato, e a revisão profissional continua valendo mesmo com todos os pontos abaixo mapeados.

Curso de Automações, por Caroline Gandara.

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O contrato serve para evitar a discussão, não para vencê-la

Quase ninguém vai à justiça por causa de uma mensalidade de gestão de tráfego. O custo do processo supera o valor discutido, e o desgaste custa mais que os dois. Isso leva muita gente à conclusão errada, a de que o contrato não serve para nada.

Serve, e o valor dele acontece antes de qualquer conflito. Um contrato bem escrito obriga as duas partes a combinarem, com as palavras na tela, aquilo que cada uma imagina que vai acontecer. É nesse momento que aparecem as diferenças de expectativa que costumam explodir no terceiro mês: quantos criativos, com que frequência, quem aprova, em quanto tempo o resultado é esperado, o que acontece se a verba mudar.

Boa parte dos cancelamentos que o gestor atribui a resultado é, na origem, uma expectativa que nunca foi combinada. O caminho desse desgaste está descrito em por que o cliente some no terceiro mês, e o contrato é o primeiro lugar onde ele pode ser interrompido.

Se uma cláusula deixa o cliente desconfortável na assinatura, ela deixaria pior no cancelamento. O desconforto na hora de combinar é o mais barato dos dois.

Escopo em número é a cláusula que evita a maior parte dos conflitos

Escopo é a cláusula mais importante e a pior escrita. A maioria dos contratos de gestão de tráfego descreve o trabalho com expressões que soam profissionais e não significam nada: gestão completa de campanhas, criativos conforme a necessidade, acompanhamento próximo, suporte pelo WhatsApp, relatórios periódicos.

Cada uma dessas expressões é um cheque em branco. Necessidade é o cliente quem define, próximo é o cliente quem define, periódico é o cliente quem cobra. O teste é simples: se duas pessoas podem ler a mesma linha e chegar a números diferentes, a linha não está pronta.

Item do escopo

Campanhas

Como costuma aparecer

Gestão completa de campanhas

Como precisa aparecer

Até três campanhas ativas ao mesmo tempo, em um canal

Item do escopo

Criativos

Como costuma aparecer

Criativos conforme a necessidade

Como precisa aparecer

Até quatro peças novas por mês, com material bruto enviado pelo cliente

Item do escopo

Reuniões

Como costuma aparecer

Acompanhamento próximo

Como precisa aparecer

Uma reunião mensal de até uma hora, agendada com antecedência

Item do escopo

Relatório

Como costuma aparecer

Relatórios periódicos

Como precisa aparecer

Um relatório mensal, entregue até o quinto dia útil

Item do escopo

Atendimento

Como costuma aparecer

Suporte pelo WhatsApp

Como precisa aparecer

Mensagens respondidas em até um dia útil, em horário comercial

Item do escopo

Fora do escopo

Como costuma aparecer

Não aparece

Como precisa aparecer

Pedido fora da lista acima é orçado à parte, com valor por hora definido

A última linha é a que mais gente esquece e a que mais devolve tempo. Sem ela, todo pedido novo vira uma negociação constrangedora no meio do mês, e o gestor quase sempre cede, porque discutir cobrança extra com cliente ativo parece pior que trabalhar de graça.

A conta mostra quanto custa um escopo escrito de forma vaga

O prejuízo do escopo aberto não aparece em lugar nenhum, porque a mensalidade continua a mesma. Ele aparece nas horas, e por isso passa despercebido até o ano fechar. Os números abaixo são apenas exemplo, e servem para mostrar a ordem de grandeza de um mês comum.

Exemplo: o custo de um mês com escopo aberto

  • Mensalidade de exemplo: R$ 2.000
  • Escopo previsto quando o preço foi montado: 12 horas por mês
  • Valor por hora previsto: R$ 167
  • Pedidos aceitos por fora no mês: três criativos extras, uma reunião não prevista e ajustes em uma página
  • Tempo desses pedidos: 6 horas
  • Total efetivamente trabalhado: 18 horas

O valor por hora cai de R$ 167 para R$ 111, uma perda de um terço, sem que nenhuma linha da campanha tenha mudado. Escrever no contrato que o mês inclui até quatro peças e uma reunião custa duas linhas e devolve as seis horas.

Repare que o problema não é o cliente pedir. Pedir é o comportamento normal de quem contratou um serviço e não sabe onde ele termina. O problema é o contrato não ter dito onde termina. Como o preço nasce do tempo que a conta consome, escopo aberto desmonta a precificação inteira, e a conta que sustenta esse raciocínio está em quanto cobrar por gestão de tráfego.

Conta, pixel e criativos precisam ter dono escrito no papel

Essa é a parte que mais gera briga feia, e quase sempre por comodidade e não por má-fé. No começo é mais rápido criar a conta de anúncios dentro do próprio gerenciador, instalar o pixel pela sua ferramenta e guardar os arquivos na sua nuvem. Quando o contrato termina, esse atalho vira uma negociação sobre coisas que deveriam ser óbvias.

A regra que resolve quase tudo é uma só: o que é do negócio do cliente nasce na estrutura do cliente, e o acesso do gestor é concedido por parceria, nunca por senha compartilhada. Isso protege os dois lados, inclusive o gestor, que deixa de responder pela conta de terceiros.

Ativo

Conta de anúncios

De quem deve ser

Do cliente

O que a cláusula precisa dizer

Criada no gerenciador de negócios do cliente, com o gestor adicionado como parceiro

Ativo

Pixel e eventos de conversão

De quem deve ser

Do cliente

O que a cláusula precisa dizer

Instalados no domínio do cliente, com o histórico permanecendo com ele

Ativo

Página, perfil e domínio

De quem deve ser

Do cliente

O que a cláusula precisa dizer

Acesso concedido por parceria, com remoção prevista no encerramento

Ativo

Peças entregues

De quem deve ser

A combinar, e por escrito

O que a cláusula precisa dizer

Uso liberado ao cliente durante e depois do contrato, ou apenas durante a vigência

Ativo

Modelos, planilhas e estruturas do seu método

De quem deve ser

Do gestor

O que a cláusula precisa dizer

Não acompanham a saída do cliente, salvo previsão em contrário

Ativo

Dados e relatórios do período

De quem deve ser

Do cliente

O que a cláusula precisa dizer

Entregues em formato aberto em até certo prazo depois do encerramento

A quarta linha merece atenção porque costuma passar em branco. Vídeo produzido para uma campanha continua sendo usado pelo cliente depois da saída em boa parte dos casos, e não há problema nenhum nisso, desde que esteja combinado. O que não pode é a definição acontecer no momento do desligamento, quando as duas partes já estão irritadas.

Curso de Automações, por Caroline Gandara.

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A verba da mídia precisa sair do cartão do cliente

Quem paga a mídia é a cláusula financeira mais perigosa do contrato, e a que mais gestor iniciante escreve errado por querer facilitar a vida do cliente. Quando a verba passa pelo seu caixa, três coisas acontecem ao mesmo tempo: você antecipa dinheiro que não é seu, assume o risco de inadimplência sobre um valor muito maior que a sua mensalidade e passa a movimentar uma quantia que infla o faturamento sem gerar um centavo de margem.

O arranjo saudável é o cliente cadastrar o próprio meio de pagamento na conta de anúncios dele. O que o contrato precisa dizer sobre isso cabe em poucos pontos:

  • Que a verba é responsabilidade do cliente, paga direto à plataforma, e que a mensalidade do serviço é separada dela.
  • Qual é a verba mínima combinada, porque abaixo de certo valor o trabalho não tem como funcionar e o contrato precisa reconhecer isso.
  • O que acontece se a verba for reduzida ou pausada: o serviço continua sendo cobrado, já que o trabalho do mês foi feito, e o prazo de resultado se estende.
  • O que acontece se o pagamento falhar e as campanhas pararem por saldo, deixando claro que a interrupção não é falha de entrega do gestor.
  • Como o reajuste da mensalidade funciona, com periodicidade e aviso prévio definidos, para o assunto não virar negociação a cada semestre.

Existe um caso em que a verba passar pelo gestor é decisão consciente, e é quando o modelo de remuneração é percentual do investimento. Ainda assim, a separação contábil precisa estar escrita, e as vantagens e armadilhas desse modelo estão em taxa fixa ou percentual da verba.

Prazo e aviso de saída definem quanto tempo você tem para trabalhar

Tráfego pago tem um descompasso conhecido: o resultado precisa de tempo para maturar, e a paciência do cliente costuma ser mais curta que esse tempo. O contrato é onde esse descompasso se resolve, e existem três arranjos possíveis.

Arranjo

Mensal, sem prazo mínimo

O que ele provoca

Facilita a venda e deixa a operação exposta ao cancelamento por mensagem

Quando faz sentido

Carteira madura, com fila de espera e captação constante

Arranjo

Prazo mínimo de três a seis meses

O que ele provoca

Dá tempo de a campanha maturar e assusta parte dos clientes na assinatura

Quando faz sentido

Nichos com ciclo de venda longo ou verba de teste alta

Arranjo

Vigência com renovação automática e aviso prévio

O que ele provoca

Mantém a relação viva sem renegociação constante e dá tempo de repor a vaga

Quando faz sentido

Arranjo padrão para a maioria das operações

O terceiro arranjo é o que costuma resolver melhor, e o detalhe que faz ele funcionar é o aviso prévio de trinta dias para qualquer um dos lados. Ele não prende o cliente insatisfeito, que sairia de qualquer jeito, mas garante um mês para repor a receita e evita o pior cenário da operação de tráfego, que é a vaga abrindo do dia para a noite sem nada na fila.

Prazo mínimo prende quem já decidiu sair. Aviso prévio dá tempo de repor a vaga. O segundo protege o seu caixa muito mais que o primeiro.

Uma observação sobre multa. Cláusula de rescisão antecipada faz sentido quando existe um investimento inicial pesado, como estruturação de conta, criação de páginas ou produção de material. Fora disso, multa alta atrapalha a venda e raramente é cobrada na prática, porque a maioria dos gestores prefere encerrar em paz a brigar por um valor que não paga o desgaste.

Meta, resultado e as promessas que não devem entrar no contrato

O cliente pede garantia de resultado com frequência, e a resposta precisa ser a mesma sempre: o gestor controla o método, não o mercado. Prometer número de vendas, custo por lead ou retorno específico coloca no papel uma obrigação que depende do produto, do preço, do atendimento e da concorrência, coisas que ficam fora do seu alcance.

O que substitui a promessa de resultado, sem soar evasivo, é a descrição do que você garante de fato:

  1. 1Obrigação de meio, descrita em atividade. Configuração, acompanhamento com frequência definida, testes de criativo e de público, e ajustes documentados.
  2. 2Ritmo de comunicação. Relatório mensal e uma reunião de leitura, com o que cada um dos dois traz.
  3. 3Período de calibragem explícito. Reconhecer no contrato que os primeiros trinta a sessenta dias servem para coletar dado e encontrar a estrutura que funciona.
  4. 4Responsabilidades do cliente. Aprovar material em prazo combinado, responder os contatos que chegam e informar mudanças de preço, estoque ou capacidade de atendimento.
  5. 5Critério de revisão. Um ponto do contrato que define quando escopo e valor voltam para a mesa, por exemplo quando a verba dobra ou um canal novo entra.

A quarta linha é a mais subestimada. Campanha boa morre quando o negócio do cliente não responde os contatos que chegam, e essa obrigação precisa estar escrita para poder ser cobrada com tranquilidade na reunião, sem virar acusação.

Os erros que mais aparecem nos contratos de gestão de tráfego

  • Copiar um modelo pronto da internet sem ajustar o escopo. O texto jurídico até serve de ponto de partida, mas a lista de entregas é do seu serviço, e é justamente ela que decide as suas horas.
  • Descrever entrega com adjetivo em vez de número. Completo, próximo, dedicado e ilimitado são palavras que o cliente vai interpretar do jeito mais favorável a ele, e com razão, porque foi você quem escreveu.
  • Deixar o pedido extra sem preço. Sem valor definido para o que sai do escopo, cada pedido novo vira uma negociação difícil, e o caminho de menor atrito é sempre fazer de graça.
  • Centralizar conta e pixel no próprio gerenciador. Parece cuidado com o cliente e vira refém dos dois lados no encerramento, além de expor você a responder por uma conta que não é sua.
  • Assinar sem definir quem aprova. Quando três pessoas do lado do cliente podem pedir alteração e nenhuma tem a palavra final, o retrabalho é infinito e não cabe em nenhum escopo.
  • Prometer número no papel para fechar mais rápido. A venda fica mais fácil por uma semana e o contrato inteiro fica frágil pelo resto da vigência.
  • Guardar o contrato e nunca mais abrir. Documento que ninguém consulta não organiza nada: ele precisa ser a referência da reunião mensal e da conversa sobre pedido extra.

O contrato só funciona quando vira rotina

Contrato assinado e esquecido na pasta não muda comportamento nenhum. O que faz ele valer é a operação lembrar dele: saber quantas peças cada cliente ainda tem no mês, quando cai o relatório, quando vence a vigência e quando o aviso prévio precisa sair. Com três clientes isso cabe na memória; com dez, não cabe, e o escopo volta a ser aberto na prática mesmo estando fechado no papel.

O limite de contas que uma pessoa consegue acompanhar com esse nível de controle está em quantos clientes um gestor de tráfego consegue atender sozinho. E o registro do que cada contrato prevê, com aviso de vencimento e contador de entregas do mês, é exatamente o tipo de coisa que sai da cabeça e vira sistema, assunto de planilha ou sistema para gerenciar clientes.

O contrato define o combinado. A rotina é o que faz o combinado acontecer todo mês, sem depender de você lembrar.

Perguntas frequentes

Preciso de contrato para gestão de tráfego?

Sim, inclusive com cliente pequeno e com cliente que veio por indicação. O contrato não existe para brigar depois, e sim para forçar a combinação antes: quantas entregas por mês, quem paga a mídia, de quem é a conta de anúncios e como cada lado encerra a relação. Um documento de duas ou três páginas, revisado por um profissional da área jurídica, resolve a maior parte dos conflitos que aparecem na gestão de tráfego.

O que não pode faltar no contrato de gestão de tráfego?

Cinco pontos sustentam o resto. Escopo escrito em número, com quantidade de campanhas, peças, relatórios e reuniões. Propriedade e acesso da conta de anúncios, do pixel e das páginas. Definição de quem paga a verba de mídia e qual é o valor mínimo. Prazo, renovação e aviso prévio de saída. E o que acontece com pedidos fora do escopo, com valor definido. Sem esses cinco, o restante do documento não protege ninguém.

Quem deve pagar a verba dos anúncios, eu ou o cliente?

O cliente, com o meio de pagamento dele cadastrado na conta de anúncios dele. Quando a verba passa pelo caixa do gestor, ele antecipa dinheiro que não é seu, assume risco de inadimplência sobre um valor bem maior que a mensalidade e infla o faturamento sem margem. A exceção é o modelo de percentual do investimento, em que essa passagem pode ser consciente, e mesmo nele a separação entre verba e honorário precisa estar escrita.

Qual o prazo ideal de contrato de gestão de tráfego?

Vigência com renovação automática e aviso prévio de trinta dias costuma funcionar melhor que prazo mínimo longo. Prazo mínimo assusta na assinatura e não segura quem já decidiu sair, enquanto o aviso prévio garante um mês para repor a receita. Prazo mínimo de três a seis meses se justifica quando o ciclo de venda do cliente é longo ou quando a estruturação inicial consome muitas horas.

Posso garantir resultado no contrato de tráfego pago?

Não é recomendável, porque o resultado depende de produto, preço, atendimento e concorrência, que ficam fora do controle do gestor. O que entra no papel é obrigação de meio, descrita em atividade: configuração, frequência de acompanhamento, testes, relatório e reunião. Junto com isso vale escrever as responsabilidades do cliente, como aprovar material no prazo e responder os contatos que a campanha gera, porque é ali que boa parte dos resultados se perde.

A conta de anúncios pode ficar no meu gerenciador?

É melhor que não. A conta deve nascer no gerenciador de negócios do cliente, com o gestor adicionado como parceiro, e o mesmo vale para o pixel, a página e o domínio. Assim o histórico de dados fica com quem é dono do negócio, o encerramento se resolve com uma remoção de acesso e o gestor deixa de responder por uma conta de terceiros. Se a estrutura já nasceu invertida, a migração é trabalhosa, mas fazer isso com o cliente satisfeito é infinitamente mais fácil que fazer na saída.

Caroline Gandara

Caroline Gandara

Gestora de tráfego pago e empreendedora. Atende clientes, constrói os próprios sistemas e ensina gestores a fazerem o mesmo.

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